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Vista da exposição, Foto: Filipe Berndt

Vista da exposição

Foto: Filipe Berndt

Thiago Rocha Pitta, Sem título, 2018

Thiago Rocha Pitta

Sem título, 2018

Cimento sobre tela, musgo e vegetais sobre terra

206 x 260 x 610 cm

Foto: Filipe Berndt

Vista da exposição, Foto: Filipe Berndt

Vista da exposição

Foto: Filipe Berndt

Vista da exposição, Foto: Filipe Berndt

Vista da exposição

Foto: Filipe Berndt

Thiago Rocha Pitta, Paisagem marinha com cianobactérias, 2017

Thiago Rocha Pitta

Paisagem marinha com cianobactérias, 2017

Afresco

63 x 195 cm | 63 x 63 cm cada

Foto: Filipe Berndt

Thiago Rocha Pitta, Marina com cianobactérias, 2017

Thiago Rocha Pitta

Marina com cianobactérias, 2017

Afresco

120 x 180 cm

Thiago Rocha Pitta, Paisagem marinha com cianobactérias, 2017

Thiago Rocha Pitta

Paisagem marinha com cianobactérias, 2017

Afresco

129 x 195 cm | 63 x 63 cm cada

Foto: Filipe Berndt

Thiago Rocha Pitta, Paisagem marinha com cianobactérias, 2017

Thiago Rocha Pitta

Paisagem marinha com cianobactérias, 2017

Afresco

63 x 63 cm

Foto: Filipe Berndt

Thiago Rocha Pitta, Retrato de uma cianobactéria, 2018

Thiago Rocha Pitta

Retrato de uma cianobactéria, 2018

Aquarela sobre papel

100 x 133 cm

Foto: Filipe Berndt

Thiago Rocha Pitta, Antes da aurora, 2017

Thiago Rocha Pitta

Antes da aurora, 2017

Vídeo

12’24

Press Release

A exposição O Primeiro Verde, de Thiago Rocha Pitta, marca um novo capítulo em sua meticulosa investigação acerca do meio ambiente, à medida que ele mergulha mais profundamente na origem e na evolução do planeta a partir de um conjunto de trabalhos – em sua maioria afrescos, além de uma escultura, uma aquarela e um vídeo – concebidos entre 2017 e 2018.

A prática diversificada de Rocha Pitta está conectada a uma fascinação profunda com as sutis transformações de seu entorno: a lenta erosão e a alteração da areia do deserto, a descida de uma neblina e as flutuações de formações subaquáticas. Suas obras têm capturado a vibração de um planeta vivo por meio do treinamento do olhar do observador acerca das lentas transformações materiais, as progressões físicas de minúsculas partículas de um território e as alterações repentinas do tempo.

Nesse novo corpo de trabalho, o artista examina os processos naturais envolvidos na fundação de todos os seres vivos: desde o surgimento das cianobactérias, primeiros seres a realizar fotossíntese, há 3,7 bilhões de anos, até o período da “grande oxidação”, quando o oxigênio produzido por esses microrganismos começou a ser liberado na atmosfera, criando condições para a vida tal qual a conhecemos hoje.

A partir disso, Rocha Pitta cria um rico campo visual que revigora e atualiza essa narrativa na vida contemporânea – atualização que se faz pertinente ao considerarmos nosso papel dentro da contínua transformação do planeta, que, para muitos cientistas, atravessa agora a era do antropoceno, em que seres humanos e suas atividades técnico- científicas têm substituído a natureza como força ambiental predominante. Ao retratar microrganismos ancestrais que operaram uma mudança radical na composição química da atmosfera, o artista propõe nos alertar também para nossa insignificância na história do mundo.

Essas ideias manifestam-se na exposição por meio do engajamento do artista, desde 2016, com a cor verde, que empresta seu nome ao título. A cor evoca não só as paisagens exuberantes do Brasil como pode ser considerada um sinônimo de diversos ecossistemas ao redor do mundo. Utilizando-se do vasto espectro, matizes e gradações contidos entre o verde e o azul, ele tece visões abstratas da terra e do mar que irrompem em nosso olhar com energia.

A vivacidade dessas vistas é acentuada por meio da implementação da técnica tradicional do afresco, através da qual são aplicados pigmentos diretamente sobre uma camada úmida composta de cal e areia, resultando em superfícies frescas. A escolha do artista dessa técnica – cujo processo envolve a evaporação, o endurecimento e a liberação de calor – estabelece uma clara conexão com os ciclos geológicos abordados na exposição.

Complementa o conjunto o vídeo Antes da aurora, filmado no Hamelin Pool, na região oeste da Austrália. O Hamelin Pool é um dos dois únicos lugares na Terra onde ainda vivem estromatólitos semelhantes aos encontrados em rochas de 3.5 milhões de anos. O vídeo, de 12 minutos, captura a ascensão da aurora sobre essas extraordinárias criaturas marinhas e oferece uma comovente imagem a respeito dos primórdios da vida: dos pequenos organismos que provocaram o desenvolvimento das diversas flora e fauna do mundo de hoje à primeira experiência da luz.

“O amanhecer marca um momento em que a luz e a escuridão ainda não estão separadas e o mundo se apresenta como uma atmosfera indistinta, com aspecto primitivo. Essa é a sensação que permeia toda a exposição. Trata-se de reconhecer os extraordinários processos que contribuíram para a formação do mundo que entendemos hoje. Também é uma lembrança de que nosso ambiente não é estático. Ele está respirando e mudando o tempo todo”, reflete o artista.