Skip to content
Nelson Felix
Nelson Felix
Nelson Felix
Nelson Felix
3a Genealogia de Sophia, 2021
3a Genealogia de Sophia, 2021
Texto, 2022, Bronze, cacto e cabo de aço
3a Genealogia de Sophia, 2021

Press Release

A composição é um assunto caro ao artista Nelson Felix, um dos mais relevantes nomes da cena de arte contemporânea. O tema surgiu em suas reflexões no meio da década de 1980, quando pairava olhos críticos, incômodos, sobre a questão da composição na arte. O pensamento expandiu para além da composição matérica, passando pelo tempo e espaço, e começou a tomar forma com o trabalho Grafite (1985-1988), uma obra que, segundo o artista, “possibilitou a construção de obras com espaços diversos”. Em Carta de Amor, sua nova individual na Galeria Millan, espelha parte disto e soma com a pesquisa de Felix acerca das cosmografias.

Carta de Amor é um trabalho que espelha Grafite (1985 – 1988). Aglomerados de locais, assim como as árias, blocos musicais que se somam nas óperas”, afirma Nelson Felix. “Em Grafite, duas hastes são posicionadas com procedimentos diferentes: uma alinhada ao eixo do sol, no momento em que o trabalho é instalado. Essa posição alude a uma colocação 'perfeita', pois é a referência no sistema solar e em torno de que tudo gira e gravita - a tal ponto precisa, que todo o resto pode ser considerado torto. Como a disposição da peça é definida a priori, anterior mesmo à escolha do espaço expositivo, ignora a possibilidade de composição com ele. A outra peça, propositalmente, tem a sua posição escolhida por mim”, ele complementa.

A exposição divide-se em dois segmentos. Nos três espaços da Millan - antessala, sala principal e sala do segundo piso - um único trabalho se interliga, por vezes fisicamente, em outras formalmente. Numa estrutura de tempo sequencial semelhante a dos planos cinematográficos - ora complementando, ora contradizendo.

Na sala principal, Felix apresenta uma instalação de título homônimo à mostra que consiste em peças de mármore de Carrara, cabos de aço e um elemento vegetal (rosa). “Uma haste de mármore é colocada verticalmente na arquitetura, portanto 'perfeita' com ela. E agora busca-se, não mais no espaço, mas sim no tempo, o momento em que esta haste formará uma cruz com o eixo do sol. O que, antes, em Grafite, era alinhado, em Carta de Amor, é transversal. Apesar da evidente verticalidade (pendular até) da escultura, é na realidade, horizontal no nosso sistema solar”, explica o artista.

No segundo segmento, Nelson Felix forma um acervo com duas novas esculturas - uma delas, de grande escala - e dois desenhos. Juntam-se a essas obras uma seleção de trabalhos de outros quatro artistas do corpo representado pela Millan, selecionados por Felix para compor a exposição: Mira Schendel, Artur Barrio, Paulo Pasta e David Almeida. “Foi uma escolha orgânica, são artistas por quem tenho grande admiração e me sinto espelhado neles”, conta Nelson.