Skip to content
Henrique Oliveira, Realidade líquida, 2012
Henrique Oliveira, Realidade líquida, 2012
Henrique Oliveira, Realidade líquida, 2012
Henrique Oliveira, Realidade líquida, 2012
Henrique Oliveira, Condensação, 2012
Henrique Oliveira, Condensação, 2012

Press Release

Em uma entrevista de 2009, Henrique Oliveira situava seu trabalho entre as categorias de pintura, arquitetura e escultura e afirmava tratar-se sempre de “criar tensão no espaço”. Essa busca pelos limites do espaço e por, através de sua exploração, provocar a percepção espacial do público (talvez até mesmo incomodá-la, já que impulsiona todo o corpo do visitante para fora de sua zona de conforto) atinge uma nova etapa na exposição Realidade Líquida, apresentada na Galeria Millan a partir de 19 de julho.

Henrique preenche o espaço expositivo da Galeria de vazio. As paredes, o teto e o piso são os mesmos de sempre, porém completamente deformados pela interferência do artista: os planos, amolecidos, convergem para uma perspectiva quase alucinógena. Se, por um lado, não há nada para se ver, a ruptura com a sensação de familiaridade do espaço é um convite a uma mudança na percepção espacial: não há uma obra no sentido canônico do termo, mas há uma forte presença no espaço, como algo que poderia estar por trás das paredes, prestes a rompê-las, ou como o resultado de um inexplicável fenômeno de estranhos resultados.

O segundo piso da Galeria acolhe a escultura Condensação, composta por um bloco de onze colchões justapostos na posição vertical. O interior deste bloco foi escavado, e seu estofamento, retirado e agrupado na forma de uma nuvem que flutua dentro da cavidade. Além de aludir ao fenômeno físico da condensação do vapor d’água em nuvens de chuva, o título da obra se refere também ao termo usado por Sigmund Freud (A Interpretação dos Sonhos) para nomear um processo psíquico comum nas narrativas oníricas de seus pacientes – processo através do qual uma única imagem aparece carregada de uma pluralidade de significações simultâneas.